Junho 2021 - Késsia Arts Bh

Saudade

em segunda-feira, 21 de junho de 2021

 

 

Como voltar no tempo e fazer as coisas voltarem ao normal?

Não é possível. 

Devemos continuar caminhando, seguindo em frente e tentar criar um novo motivo para viver todos os dias. 

Existem feridas que nunca vão cicatrizar, nunca vão fechar definitivamente. Pessoas que perdemos, animaizinhos que perdemos, aquele amigo que foi embora. 

Sabemos que tudo faz parte da vida mas, às vezes, é difícil de aceitar. Mesmo assim essas coisas vão acontecer porque estamos vivos. Não importa a posição social, o grau de instrução, a dor vai chegar em um momento da vida.

Então, devemos passar por isso. Se for para chorar, que o choro venha, se for para ficar bravo, que fiquemos, se for para ficarmos calados, no nosso cantinho, podemos também. 

Devemos respeitar nossos sentimentos, nosso corpo. 

O tempo é de recomeçar, tentar alcançar aqueles sonhos que ficaram perdidos.

Tentar transformar a dor, a saudade, em motivação. 

Vai fazer um ano que perdi minha Luna e minha Vitória. Minhas cachorras que foram muito mais que um bichinho. Elas eram da família. Parece que ainda ouço as patinhas delas no quarto, que a qualquer momento vou ver a carinha delas no portão me esperando.

São muitas saudades: Sorriso, Isa, Estopinha e muitos outros.

Todos fizeram parte da minha vida, por muitos anos.

Toda forma de vida, deve ser respeitada. Não somos mais que os outros. 

O que posso dizer mais sobre saudade? Ela dói. Mas ela significa, que tivemos bons momentos, que vivemos cada dia.

Viva cada dia, como se fosse o último.

Essa é a mais pura verdade dessa vida!


Agulheiro- Reaproveitando pote de creme

em domingo, 13 de junho de 2021

 Olá pessoal!!!!

Hoje trago uma ideia para vocês, sobre como reutilizar aqueles potes de creme para cabelos, que normalmente vão para o lixo.

Fiz um lindo agulheiro!!

Espero que gostem!!




João Guimarães Rosa e Mia Couto- Um diálogo entre autores

em sexta-feira, 4 de junho de 2021

 




 

Sendo Mia Couto e Guimarães Rosa escritores de língua portuguesa, de países ex-colonizados, poderíamos relacionar a cultura de Moçambique e Brasil, não fosse, dois séculos de independência em relação à Portugal que distanciam os dois países.

Rita Chaves (2002) pontua que, é frequente a referência a escritores brasileiros apontados como participantes na formação cultural dos escritores africanos. A estudiosa refere-se aos períodos que antecederam os movimentos de libertação nacional nesses países, que nos anos que se seguiram às lutas de libertação, os laços perderiam sua densidade. Com Mia Couto os laços se renovaram.

A partir de tal contexto sócio-cultural é que inserimos o diálogo en­tre a literatura moçambicana produzida por Mia Couto – tido como o maior escritor de língua portuguesa na África no século XX – e a literatura de Guimarães Rosa, considerado um dos maiores escritores brasileiros.

Focaremos no romance Manuelzão e Miguilim, da narrativa Campo Geral de Guimarães Rosa e no conto Nas Águas do Tempo, do livro  A Menina sem Palavras de Mia Couto.

Para Cândido, a literatura é considerada um sistema de obras ligadas por denominadores comuns que permitem reconhecer as notas do­minantes em determinadas fases.

Guimarães Rosa é um dos principais nomes dos escritores brasileiros do século XX. O sertão brasileiro era um ambiente recorrente nos escritos do mineiro, que apostava no regionalismo para narrar as histórias.

Manuelzão e Miguilim foi lançado em 1964, um ano depois de o autor ser eleito para a Academia Brasileira de Letras por unanimidade. Porém, com medo de se emocionar demais, só tomou posse após quatro anos. Infelizmente, faleceu três dias depois.

Em Campo Geral, todos os fatos são apresentados de acordo com sua visão de mundo. Pode-se perceber que a intenção de Guimarães Rosa era criar seu universo a partir da percepção de um menino em processo de crescimento. Trata-se também de uma história de aprendizagem, já que acompanhamos o processo de amadurecimento do pequeno Miguilim.

Mia Couto é um dos mais conhecidos e lidos autores africanos de língua portuguesa na atualidade. Com seus livros publicados simultaneamente no Brasil e em Portugal, Mia se tornou best seller não apenas em países de língua portuguesa.

Segundo ele, ouvir histórias, observar as pessoas a sua volta e captar detalhes do cotidiano são os recursos que utiliza no seu processo de criação literária, os quais combina com os elementos que construirá e que intentam despertar a compreensão e a emoção dos leitores.

Nas águas do tempo narra a história de um avô que, cotidianamente, conduz seu neto em passeios de barco até determinado ponto do rio. A rotina, gradativamente, faz com que o jovem perceba que aqueles passeios representam algo maior do que a possível senilidade de seu avô e, assim, presenciamos, ao longo da leitura, seu amadurecimento.

Mia Couto traz a realidade pró­pria de Moçambique. É fortemente ligado às raízes e tradições de seu país, e as coloca sempre em confronto não apenas com a modernida­de, mas com as identidades fluidas e permeáveis da pós-modernidade.

          Por sua vez, Guimarães Rosa traz o universo do Brasil. Sua obra pri­vilegia o ambiente rural, das fazendas e pastagens, lugares a perder de vista, elegendo as tradições, costumes, cantigas, modos de vida, em confronto com a modernidade, com as cidades, com o novo, com o cosmopolitismo.

Ambos são grandes contadores de estórias e seus textos literários formam ver­dadeiras redes extratextuais e intratextuais onde os leitores navegam, aproximando-se e distanciando-se das margens, humanizando-se en­fim, como é função da literatura.